sábado, 24 de setembro de 2011

Difamação contra a Coca-cola

Pessoal amigo,

Fiz uma pesquisa para desmacarar mensagem contra a Coca-cola, que orientava sobre malefícios deste refrigerante, no intuito de alertar a minha família sobre os dados enganosos da mensagem. Agora, com pequena adaptação, torno público meu sacrifício de uma noite inteira de sono para averiguar a verdade sobre as informações.

Segue a mensagem com minhas intervenções:

Tem campanha pra vilanizar tudo. É impressionante!!!

AULA SOBRE REFRIGERANTE

(enviado por Gustavo Brasil, 30/4/2011)

Na verdade, a fórmula 'secreta' da Coca-Cola se desvenda em 18 segundos em qualquer
espectrômetro-ótico, e basicamente até os cachorros a conhecem. Só que não dá para fabricar
igual, a não ser que você tenha uns 10 bilhões de dólares para brigar com a Coca-Cola na justiça,
porque eles vão cair matando.

Entre outras coisas, fui eu quem teve que aprender tudo sobre refrigerante gaseificado para
produzir o guaraná Golly aqui (nos EUA), que usa o concentrado Brahma. Está no mercado até
hoje, mas falhou terrivelmente em estratégia promocional e vende só para o mercado local, tudo
isso devido à cabeça dura de alguns diretores.

Tive que aprender química, entender tudo sobre componentes de refrigerantes, conservantes,
sais, ácidos, cafeína, enlatamento, produção de label de lata, permissões, aprovações e muito
etc. e tal. Montei um mini-laboratório de análise de produto, equipamento até para analisar
quantidade de sólidos, etc. Até desenvolvi programas para PC para cálculo da fórmula com base
nos volumes e tipo de envasamento (plástico ou alumínio), pois isso muda os valores e o sabor.
Tivemos até equipe de competição em stock-car.

Tire a imensa quantidade de sal que a Coca-Cola usa (50mg de sódio na lata) e você verá que
a Coca-Cola fica igualzinha a qualquer outro refrigerante sem-vergonha e porcaria, adocicado e
enjoado. É exatamente o Cloreto de Sódio em exagero (que eles dizem ser 'very low sodium') Isso é campanha enganadora!!! A quantidade de sódio indicada pelos médicos é entre 100mEq ou 2400mg QUE SIGNIFICAM 6g de sal no máximo !!!!!!! http://www.classiclife.com.br/medicina/med_0055_6ed.html Nem 8, nem 80, a média é, evidentemnete 3g de sal. Ora a metade de 2400mg de sódio é 1200mg!!!!!!!! 20 vezes mais que numa garrafa de coca-cola (50mg) segundo o próprio autor dessa mensagem!!!!!!! As informações do autor são muito duvidosas!!!!!!!! Dados da Org. Mundial de Saúde!!!!!!!!!! Em vários sites médicos!!!!!!!!! http://www.clinicaq.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=141&Itemid=29
refresca e ao mesmo tempo dá sede em dobro, pedindo outro refrigerante, e não enjoa porque
o tal sal mata literalmente a sensibilidade ao doce, que também tem de montão: 39 gramas
de 'açúcar' (sacarose).

É ridículo, dos 350 gramas de produto líquido, mais de 10% é açúcar. Imagine numa lata de
Coca-Cola, mais de 1 centímetro e meio da lata é açúcar puro... Isso dá aproximadamente umas
3 colheres de sopa CHEIAS DE AÇÚCAR POR LATA !... Vamos a um exemplo: pessoa moderada no açúcar como você, ok? Ora, no caso de tomar um copo de limonada, você põe 1,5 colher de açúcar no copo. Se você tomar dois copos de limonada, já era!!!! VOCÊ ESTÁ CONTRA SUA SAÚDE!!!!!! Ah, façam-me o favor...

- Fórmula da Coca-Cola?...

Simples: Concentrado de Açúcar queimado ― Caramelo ― para dar cor escura e gosto; ácido
ortofosfórico (azedinho); sacarose - açúcar (HFCS - High Fructose Corn Syrup ― açúcar
líquido da frutose do milho) é apenas o açúcar invertido, que se obtém até caseiramente. Conheço quem sabe fazer. "O termo xarope de açúcar invertido descreve uma mistura de açúcares em solução, principalmente glicose, frutose e sacarose, obtidos através da reação de hidrólise da sacarose", segundo CIENTISTAS DA UNICAMP!!!!!! Eles afirmam que o açúcar invertido é mais saudável!!! Basta ver o resumo e as três primeiras linhas do artigo (fonte: clique aqui).
; extrato da folha da planta COCA (África e Índia) Esse é o mais perigoso!!! Cocaína pura!!! Oh, meu Deus, estamos perdidos!!!!!!
e poucos outros
aromatizantes naturais de outras plantas, cafeína, e conservante que pode ser Benzoato de Sódio
ou Benzoato de Potássio,

Dióxido de carbono de montão para fritar a língua quando você a toma
e junto com o sal dar a sensação de refrigeração. Este pesquisador estudou mesmo nos EUA??? Veja essa informação: "Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico

Dióxido de Carbono Altamente Refrigerado

Ingestão: O dióxido de carbono sob alta pressão encontra-se na forma líquida, porém quando
esta pressão não é mais exercida, o dióxido de carbono volta à forma gasosa. Por este motivo, esta
forma de exposição torna-se não aplicável." (fonte: clique aqui)


O uso de ácido ortofosfórico e não o ácido cítrico como todos os outros usam, é para dar a
sensação de dentes e boca limpa ao beber, o fosfórico literalmente frita tudo e em quantidade
pode até causar decapamento do esmalte dos dentes, coisa que o cítrico ataca com muito
menor violência, pois o ortofosfórico 'chupa' todo o cálcio do organismo, podendo causar até
osteoporose, sem contar o comprometimento na formação dos ossos e dentes das crianças
em idade de formação óssea, dos 2 aos 14 anos. Puxa, ele é contra o ácido fosfórico que faz bem pro cérebro!!!!!!!! (http://www.segurancalimentar.com/conteudos.php?id=534 veja o item maçã, que pra ele deve ser muito perigoso também!!!!) 100g de maçã tem 7mg de ácido fosfórico (http://www.brazilianfruit.org/Informacoes_para_o_Consumidor/informacoes_nutricionais_maca.asp?produto=4), enquanto existe 0.7125 mg de H3PO4 em 1ml de refrigerante, segundo o CEFETEQ Nilópolis, ou 250mg na lata. Segundo (FUVEST-SP) O limite máximo de “ingestão diária aceitável”(IDA) de ácido fosfórico, aditivo em alimentos, é de 5mg/kg de peso (fonte: clique aqui), ou seja para quem pesa 80kg, 400mg de ácido fosfórico.

Tente comprar ácido fosfórico para ver as mil
recomendações de segurança e manuseio (queima o cristalino do olho, queima a pele, etc.).

Só como informação geral, é proibido usar ácido fosfórico em qualquer outro refrigerante, só a
Coca-Cola tem permissão... (claro, se tirar, a Coca-Cola ficará com gosto de sabão). Estas informações estão cada vez mais duvidosas!!! Exatamente um refrigerante bem modesto, sem condições de comprar altas licenças usa ácido fosfórico EM TODOS OS SABORES DE REFRI http://refrigerantesaboraki.com/produtos_refrigerantes.htm

O extrato da coca e outras folhas quase não mudam nada no sabor, é mais efeito cosmético e
mercadológico, assim como o guaraná, você não sente o gosto dele, nem cheiro, você acredita que FOLHAS DE ERVAS NÃO TÊM GOSTO NENHUM? Se fosse assim, todo chá não teria gosto (o verdadeiro
guaraná tem gosto amargo) ele está lá até porque legalmente tem que estar (questão de registro
comercial), mas se tirar você nem nota diferença no gosto.

Agora chega de perder minha noite por causa dessas calúnias contra coca-cola!!!!!!!!

O gosto é dado basicamente pelas quantidades diferentes de açúcar, açúcar queimado, sais,

ácidos e conservantes. Tem uma empresa química aqui em Bartow, sul de Orlando. Já visitei os
caras inúmeras vezes e eles basicamente produzem aromatizantes e essências para sucos. Sais
concentrados e essências o dia inteiro, caminhão atrás de caminhão! Eles produzem isso para
fábricas de sorvete, refrigerantes, sucos, enlatados, até comida colorida e aromatizada.

Visitando a fábrica, pedi para ver o depósito de concentrados das frutas, que deveria ser imenso,
cheio de reservatórios imensos de laranja, abacaxi, morango, e tantos outros (comentei). O
sujeito olhou para mim, deu uma risadinha e me levou para visitar os depósitos imensos de
corantes e mais de 50 tipos de componentes químicos. O refrigerante de laranja, o que menos
tem é laranja; morango, até os gominhos que ficam em suspensão são feitos de goma (uma liga
química que envolve um semipolímero). Abacaxi é um festival de ácidos e mais goma. Essência
para sorvete de Abacate? Usam até peróxido de hidrogênio (água oxigenada) para dar aquela
sensação de arrasto espumoso no céu da boca ao comer, típico do abacate.

O segundo refrigerante mais vendido aqui nos Estados Unidos é o Dr. Pepper, o mais antigo
de todos, mais antigo que a própria Coca-Cola. Esse refrigerante era vendido obviamente sem
refrigeração e sem gaseificação em mil oitocentos e pedrada, em garrafinhas com rolha como
medicamento, nas carroças ambulantes que você vê em filmes do velho oeste americano. Além
de tirar dor de barriga e unha encravada, também tirava mancha de ferrugem de cortina, além
de ajudar a renovar a graxa dos eixos das carroças. Para quem não sabe, Dr. Pepper tem um
sabor horrível, e é muito fácil de experimentar em casa: pegue GELOL spray, aquele que você
usa quando leva um chute na canela, e dê um bom spray na boca! Esse é o gosto do tal famoso
Dr.Pepper que vende muito por aqui.

- Refrigerante DIET

Quer saber a quantidade de lixo que tem em refrigerante diet? Não uso nem para desentupir a
pia, porque tenho pena da tubulação de pvc... Olha, só para abrir os olhos dos cegos: os produtos
adocicantes diet têm vida muito curta. O aspartame, por exemplo, após 3 semanas de molhado
passa a ter gosto de pano velho sujo.

Para evitar isso, soma-se uma infinidade de outros químicos, um para esticar a vida do
aspartame, outro para dar buffer (arredondar) o gosto do segundo químico, outro para neutralizar
a cor dos dois químicos juntos que deixam o líquido turvo, outro para manter o terceiro químico
em suspensão, senão o fundo do refrigerante fica escuro, outro para evitar cristalização do
aspartame, outro para realçar, dar 'edge' no ácido cítrico ou fosfórico que acaba sofrendo pela
influência dos 4 produtos químicos iniciais, e assim vai... A lista é enorme.

Depois de toda essa minha experiência com produção e estudo de refrigerantes, posso afirmar:
Sabe qual é o melhor refrigerante? Água filtrada, de preferência duplamente filtrada, laranja ou
limão espremido e gelo... Mais nada !!! Nem açúcar, nem sal.

**O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ ACABA DE BEBER UMA LATA DE REFRIGERANTE**

Primeiros 10 minutos:
10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente.
Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto.
20 minutos:
O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina.
O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura (É muito para este
momento em particular).
40 minutos:
A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado
responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são
bloqueados para evitar tonteiras.

45 minutos:
O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo.
(Fisicamente, funciona como com a heroína..)
50 minutos:
O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o
metabolismo.
As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina, ou seja,
está urinando seus ossos, uma das causas das OSTEOPOROSE.
60 minutos:
As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina.
Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam..
Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar.
Ficará irritadiço.
Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para
fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo.

(Prof. Dr. Carlos Alexandre Fett - Faculdade de Educação Física da UFMT Mestrado da Nutrição
da UFMT)

Laboratório de Aptidão Física e Metabolismo – 3615- 8836 - Consultoria em Performance
Humana e Estética

*Pense nisso antes de beber refrigerantes. Se não puder evitá-los, modere sua ingestão! Prefira
sucos naturais. Seu corpo agradece!*

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Vingança de Gutemberg: pós-modernidade como projeto (IV)

Quem poderia imaginar que o primo pobre do Terceiro Milênio, excluído dos meios infovirtuais, teria um lugar privilegiado na produção cultural? O livro, esse objeto tido como "obsoleto", parece adquirir todo o vigor de produto cultural (produção humana/ humanizada), resistindo ao controle do imaginário e do pensamento.

De todos os produtos da cultura, são os audiovisuais os que padecem na tirania da Técnica, cujo desfecho, profetizado por Marx, potencializa a reificação do produto, a menos valia do trabalho e a desumanização do homem. O sistema capitalista é a vigência da Técnica, por isso as produções culturais sofrerem essa alienação. E quando são artes, agonizam a perda da aura.

Até mesmo os artistas midiáticos estão reclamando. Seja áudio, seja visual, a produção cultural está conhecendo no suporte infovirtual uma linguagem nociva aos direitos autorais e ao custeio do artista e do produtor. Quando muito, são respeitados num barateamento inescrupuloso, para depois serem violados nas comunidades de partilhamento de acervos. A pirataria é apenas adiada e vem se afirmando um mal inevitável.

Já a Galáxia de Gutemberg, discriminada e banida do mundo infovirtual, enfrenta o problema da reprodução (xerox) ilegal, mas tal mecanismo não dispõe da pulverização própria do sistema de internet, pelo qual todas as informações são acessíveis imediatamente para todo o mundo a qualquer tempo.

Se os escritores se juntarem e buscarem fortalecer suas organizações representativas e corporações de classe, podem firmar acordos e contratos mais interessantes para o livro, o editor e o próprio escritor.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Led Zeppelin: pós-modernidade como projeto (III)

Será que existe um atopos maior do que Led Zeppelin? Genericamente identificado como rock, outro lugar, no entanto, seria difícil de se pensar. Isto quer dizer que LZ só permite essa associação com o rock porque este é a grande abertura para o fundamento. Ora, o fundamento, por si só, ainda que não sabido do que, é uma questão.

Rock, em língua inglesa, quer dizer rocha. Habitualmente atribuído à "dureza" do estilo, na verdade "rock" diz uma questão: o mineral. O grande gênio sabe que o mistério da primordialidade se confunde com o ser rocha, no sentido de que a "massa informe" ovidiana, se mais do que pantanosa, era a terra, terra bruta, antes da água. Como disse João Cabral: "no deserto, Anfion": sem nada mais do que terra, o poeta já é "no mineral". Na metáfora do penetrar a rocha se desvela escavação rumo ao originário. "Faz milhões de tempos/vezes desde o rock n' roll", diz uma das músicas do LD. Por várias formas, dá-se esse através da pedra, como imagem do originário. O tempo é uma experienciação unidimensional, a partir do originário, imageticamente ficcionalizado pelo próprio "rock": pedra, mineral.

Sobre o originário, não bastasse, LD também acontece originariamente. Na encruzilhada dos caminhos musicais, artísticos, humanos, explode uma música híbrida, e tenaz. LD é uma reposição do próprio rock n' roll, e da música em geral. Na conjugação de blues, jazz, pop e música erudita de todo o tipo, principalmente Mozart, Bach e compositores exóticos ou orientais, LD é uma experienciação que pensa sobre si mesma, enquanto arte que é, pensando, portanto, inclusive a própria música enquanto arte: "Para ser 'rock' (rocha) e não 'roll' (mole)". Na dimensão da arte acontece o homem: "eu sou um cara simples e vivo 'from' (a partir do) dia 'to' (para o) dia / um raio de sol beija minha fronte e derrama meu blues". É importante ressaltar a opção por "from day to day", pois ainda há "day to day" e "day by day", a mais usual. A escolha da locução adverbial permite o sentido de circularidade que as outras opções não permitem: tendo o dia como origem, viver é lançar-se para o dia, que é o originário - do dia para o dia, ou, quem sabe, o dia pelo dia, como a arte-pela-arte.

Da pedra filosofal, jorra primordialmente o maior dos apelos humanos: "eu vou te dar o meu amor". Interessante perceber que a ordem das citações está decrescendo cronologicamente: "para ser rock e não roll" é de 1972; "vivo do dia para o dia", de 1970; "eu vou te dar o meu amor", de 1969. Nos primórdios da banda, vemos que o apelo humano veio de uma pró-vocação: "quebra de comunicação... sempre a mesma coisa! Estou tendo um ataque de nervos tentando dizer: quero sentir seu adorável charme" (1968). Esse dizer não é o uso corriqueiro da língua, é o falar pela linguagem a essencialidade. Dessa maneira, os quatro discos sem nome da banda LZ realizam o pró-jeto do ser, surgindo "Casas do Sagrado", quinto álbum e primeiro intitulado.

Então, na verdade, não fosse a necessidade de explicar "rock", deveríamos respeitar a gênese da banda: em primeiro, dizer a originariedade, a pró-vocação (1968); em segundo, dizer o apelo, que realiza a pró-vocação (1969); em terceiro, a vida como experieniação de retorno ao originário (1971); finalmente o "rock" como originário (revisitado) que se espraia de diversas maneiras, por diversos tempos.

Mas nada da pós-modernidade ainda foi dito. Desde 1970, LD já trazia a revitalização da mitologia antiga pela linguagem moderna: "o martelo dos deuses vai guiar nossas naus para novas terras / para lutar contra a horda, cantando e gritando: Valhalla, eu estou vindo". Um ano antes, foi gravada "Thank you", que mostra a cópula entre terra e água, "rock n' roll": "As montanhas elevam-se sobre o mar: devem ser você e eu". Eis a dimensão ecológica cantada no vigor do mito, na celebração do rito maior: pró-criação.

A força opressora da indústria cultural se arroga o direito de desafiar LD. LD já é o desafio, antes mesmo de nossa ordem-do-dia ecológica ou "pós-moderna". Robert Plant, como lírico, já enviou seu recado, e no envio deste esteve e continua estando o não-recado (por onde a indústria o enxerga). Jimmy Page, virtuose máximo da guitarra, deixou nos shows uma marca inconfundível justamente porque irrealizável: as recentes remasterizações, finalmente livres do volume alto, já revelam sua insuperabilidade. John Paul Jones é o artífice que, pelo contrabaixo, sustém o caos no mínimo de comunicabilidade (e o grau zero é o mais difícil). E John Bonham é quem dá os sinais da percussão (percutir: o que, antes de repercutir, fala para o redor): por isso, dos quatro é o mais compreendido.

sábado, 8 de março de 2008

Hermenêutica, a única saída: pós-modernidade como projeto (II)

A Hermenêutica veio da escrita monástica, ganhando nova significação. Hoje, a Hermenêutica é a atividade indagadora. Através da pergunta, o ser humano elabora um entendimento sobre o argumento inquirido e o repõe manifestativamente em novas dimensões inauguradas pelo sujeito que pensa. E o que ele pensa? A pergunta e a resposta.

Perguntar é um método de conhecimento. Para os hermeneutas, é o único legítimo, porque sempre mantém diálogos, enquanto dia-lógos (a travessia do conhecimento), entre a inteligência pensante e o objeto pensado. A razão, que é o método iluminista de conhecimento, subordina o objeto ao mero conceito, a uma definição. Desencantando as coisas, o animal racional vê a realidade na ilusão de um austero domínio, alcançado pelo conceito. Se o observado não fornece mais perigo, é já conhecido, então "tá tudo dominado". O que é uma bola? É um objeto esférico, geralmente para jogos esportivos. A serventia é que denota a vontade humana de subjugar, fazendo das coisas um servente, um servo, um vassalo. Mas os planetas são bolas também, e estas amedrontaram o homem durante muitos séculos.

Responder, diferentemente de perguntar, pode se dar de duas maneiras. No racionalismo tecnicista, responder é método de dominação e reificação. Mas, na Hermenêutica, responder é admitir que as coisas são fontes inesgotáveis de conhecimento, e, por isso, o aprendizado é permanente. O animal racional se ilude em ser o dominador de tudo, até surgir um terremoto ou uma enchurrada que destroem sua ambição imperialista e senhorial. Daí ficam todos preocupados com a ecologia, numa espécie de mea culpa.

Não podemos prosseguir assim. Construímos para nós um campo de concentração nazista contra nós mesmos, e depois reclamamos: mas como só temos pão e água? Pão e circo, talvez, porque como disse Cecília Meireles, "a chuva chove", e pra berber água "se vira nos trinta, malandro". O entendimento nasce quando perguntamos: por que estamos assim? Responder há uma crise: isso é reduzir a conceito, para não ter medo. Isso é racionalismo. Responder como mudar: isso é hermenêutica. Porque a mudança é permanente, é uma missão. E responder permanentemente é sempre perguntar, em diferentes modos de falar (a pergunta e a resposta).

A recuperação da dimensão humana passa pela mudança de pensamento. E não esqueçamos: agimos como pensamos. O que você tem pensado? Em comprar um carro?

Se não abandonarmos o lucro e a técnica, sucumbiremos. Lucrativo é, como disseram os sábios gregos, o economicamente correto. Eco-nomia é a nomeação do que é bom para a eco, a nossa morada. E o economicamente correto é a energia elétrica, e não o petróleo.

Lutemos pelo bonde veloz, pelo metrô, e não pelo crescimento da indústria automobilística!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Terceiro Milênio: pós-modernidade como projeto (I)

Não há dúvidas de que o pensamento alemão, via Habermas, vem apostando numa modernidade moribunda, que deve ser vivida para evitar fontes e formas de escapismo auto-alienantes. Quando esse ciclo acabará? O que nos faz presos a uma situação histórica purgativa, sem perspectivas de resolução?

A outra opção é o pensamento daqueles que afirmam haver uma pós-modernidade instaurada, desde uma data ainda não muito bem conciliada, mas no último quartel do século XX. Não há "pós" sem o encerramento do antecessor: só há pós-Comunismo porque esse regime caiu; assim como pós-Absolutismo, pós-Modernismo, pós-Colonialismo, pós-Imperialismo. Como, então, resolver aporias qual pós-Humanismo, pós-Industrialismo, pós-Capitalismo, se Humanismo, Industrialismo e Capitalismo ainda acontecem na nossa esfera pública?

O grande sinal verdadeiramente contrapositor desse tempo morreu abortado pelo consumo de drogas: a Contracultura, que surgiu muito incipiente e geniosa em meio a uma ânsia vital e irrefreada por liberdade, contra a opressão generalizada típica desse momento histórico, cujo documento comprobatório são os regimes autoritários espalhados pelo Ocidente e Oriente, sob uma bandeira vermelha - como o sangue dos rebeldes -, ou repressivos e conservadores, sob uma bandeira da águia - como o déspota machiavélico.

Parece que a humanidade ainda não assimilou a bofetada da Dialética do Esclarecimento. Parece que, a partir de 1940, o pensamento humano, de modo geral representado mal ou bem pelas universidades e academias, vem lastimando uma ordem, uma lógica do fracasso. Alarmando os malefícios do Esclarecimento, uma extensa bibliografia foi dedicada à explicação de quão terrível o Ocidente, imbricado com o sistema capitalista, tem sido para os povos, particularmente no nível individual.

Creu-se que a exponenciação colossal da situação implicaria a geração de uma nova era: a pós-modernidade. Ora, não há nada de "pós" numa fase extremamente adensada; pelo contrário: vejo essa fase como essencial, característica e representativa.

A modernidade vem a lume como projeto explícito, diligente e estruturado com os românticos alemães, depois da Querela dos Antigos e Modernos nos Setecentos. Se recorrermos a ele, veremos que a engrenagem do sistema é a ruptura, daí o novo como valor. Não será com uma ruptura que encerraremos seu mecanismo vital, não é mesmo? Ao contrário, estaríamos perpetuando sua lógica, em direção ao revigoramento da modernidade. Deslocando a questão desse eixo teórico para um enorme pragmatismo/empirismo, há quem sustente a pós-modernidade em termos de avanços tão intensos que representariam um salto para outra situação, outra época, tomados como exemplos o computador, a cibernética, clonagem, etc. - os últimos produtos tecnológicos. Aqui, o critério recai sobre a Tecnologia, isto é, a feição da techné.

Seria possível reconhecer o acerto dessa fundamentação se não olhássemos para trás e percebêssemos grandes saltos dessa qualidade, sem, no entanto, implicar o esgotamento da modernidade. Se da televisão para o computador pessoal, se da maquinaria para a cibernética robótica, se das seleções de Mendel para a clonagem, reconhecemos evidentemente avanços muito, mutíssimo intensos, o que diremos da carroça para o carro, do rádio para a televisão, do quadro para a fotografia? Esquecemos de nos auto-reconhecer na diferença carroça/carro? Claro que não; o que acontece é que essa visão, essa nova proposta, se apegou por demais à aparência.

Eu insisto na opinião de que a grande questão é (sempre) de linguagem. O próprio Romantismo de Jena, na voz de Schlegel, nos dá as pistas. É a "arte futura", que chegaria para completar o espírito moderno, levando-o a uma nova experiência existencial, a uma nova conjuntura. Portanto, através dessa categoria, Schlegel vislumbrava um projeto moderno para além da modernidade conhecida e vivida: a pós-Modernidade. Em que consistia esse projeto (permita-me a redundância para clarear), "projeto de futuro"? Schlegel já havia intuído, no começo dos Oitocentos, a estrutura viciada da modernidade na absorção da novidade e da ruptura, já que ela é sempre sinal dos novos tempos e dos tempos recentes. Para evitar o ciclo, Schlegel propõe adotar uma nova linguagem (e logos): a dialética entre o discurso moderno inerente ao homem moderno e a visitação ao pensamento antigo-grego, produzindo uma linguagem autêntica e diferenciada, desestabilizando, talvez sem saber, a estrutura moderna de pensamento pela influência antigo-grega, obtida a partir de releituras criativas e criadoras de uma nova mitologia. Que tipo de mitologia seria essa? Ora, é a mitologia pós-moderna, cujos esboços nos foram dados pelo Parnasianismo, mormente do Brasil.

Considero que estamos no ensejo de intensificar esse diálogo entre modernidade e antiguidade (vide o interesse pelos filósofos socráticos e pré-socráticos), originando, inevitavelmente, uma nova e outra linguagem, uma nova e outra mitologia, um novo e outro sistema, uma nova e outra cartografia, um novo e outro discurso, etc., etc., etc. A urgência de nossas necessidades e premências indicam prospectivamente que esse caminho será a Ecologia, trilhada pelo homem como terceira via, o "projeto de futuro", redimensionando as bases modernas radicalmente (por isso instaurando finalmente a tão falada pós-modernidade).

O apelo veio do seio de Gaia, convocando toda a horda dos "deuses desertores" (para usar a expressão de Hölderlin) a um reclame pela convivência pacífica entre Homem e Natureza. Por isso, o projeto moderno, teorizado por Schlegel, para mim ganha nesse momento a chance de se realizar; ou melhor, nós é que ganhamos, pois poderemos sair da selvageria capitalista e da barbárie das massas. É nesse sentido que posiciono o Brasil como a maior potência (potencial) pós-moderna, por ter a oportunidade de buscar o direcionamento da Ecologia nos seus biomas como Amazônia, Cerrado, Caatinga e Pampa.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Natal e Perspectivas Melhores

O Natal é um momento de partilha irrestrita. Sem limites, a confraternização universal é capaz de unir o rito pagão do Papai Noel e o nascimento do Cristo Salvador. Melhor chance para mudarmos, suscetíveis aos bons sentimentos e pensamentos.
Tomados pela graça divina, podemos reconhecer nossos erros e limitações, bem como agradecer nossas virtudes que a força do Sagrado nos dá.
Deveríamos começar por praticar aquilo que ensinamos às crianças: não roubar, não matar, respeitar, amar a todos, justamente os Ensinamentos do Deus Criador.
As novas perspectivas são cada vez mais claras e dialogadas: rumamos para a compreensão de nossa relação interpessoal com os outros e com a natureza. Esse o caminho para refazer valores, abandonando o lucro desenfreado, o egoísmo e a cobiça/avareza para abraçar o cuidado, o saber, o diálogo. Há tempo ainda para entrarmos no Terceiro Milênio.
Nele poderemos construir o que sempre tivemos como meta: paz, amor, saúde, união, alegria e prosperidade.
Só há sentido em ser rico para gastar contra a fome e a pobreza. Liberdade, igualdade e fraternidade terão lugar garantido no nosso destino: melhorarmos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Tropa de Elite: o direito do mais forte

Hoje, 5 de novembro, passei o dia no cinema atendendo ao apelo da Mostra de Filmes Nacionais, que ofereceu ingresso a R$ 2,00. O público realizou sua histeria midiática em torno do título Tropa de Elite, que foi recebido como última palavra (e por isso mais dona da verdade) sobre violência urbana no Brasil e a Guerra do Tráfico, que determinam, querendo-se ou não, grande parte de nosso momento cotidiano atual.
Ora, o filme se arroga como grande conhecedor do metiê do tráfico, pondo em ação três grupos sociais: os pobres (favelados) que administram o tráfico, a classe média (jovens consumidores e pais tanto mais vítimas quanto mais cegos) e a polícia (a corrupta, dispersada nos escalões de praxe, e a "justiceira" - heróis do filme -, representada pelos integrantes da divisão especial denominada BOP).

A trama se faz nos atritos de visões-de-mundo radicalmente distintas entre os três grupos. Por exemplo, os jovens da classe média se enxergam como vítimas da violência policial contra seus direitos de ir e vir (e nisto eles incluem o uso de drogas, embora legalmente vedado - criando um paradoxo). Os pais, por sua vez, sem conhecimento minimamente estruturante sobre o assunto, permanecem atrás de uma peneira moral tão rígida quanto obsoleta, para tapar um enorme sol que encontrou sua eclipse crônica.

Do outro lado, os policiais, entre os quais o narrador, consideram os jovens usuários como o sustentáculo do crime organizado de drogas, os verdadeiros finaciadores do tráfico armado.

Já os traficantes apresentam uma ética totalmente atípica: vale tudo contra a polícia. Digo atípica não porque seja imoral, como de fato o é, mas porque até os aliados viram inimigos, sem direito à explicação. Foi o que aconteceu com a ONG de responsabilidade social - outra ética, assim como a dos pais, obsoleta - diante do infortúnio: os agentes mantenedores eram universitários e acabaram adentrando na favela, sem saber, um policial (que preferencialmente deve esconder sua profissão), que era colega de turma na faculdade.

A ordem é a do ódio, como se vê. A polícia odeia o tráfico, isto é, tanto o traficante quanto o jovem de classe média consumidor; o traficante repudia a polícia e com isso qualquer envolvimento, ainda que incidental, mesmo dos usuários; o consumidor hostiliza a polícia e, quando sabe do "vale tudo" contra a polícia (na dimensão macro-metonímica do Estado), enxerga a segregação, pagando com sua vida uma infeliz coincidência sem espaço para arrependimento, como o fato de morrer por ter, sem saber, um colega de faculdade policial.

Nesse caso, evidentemente, não há espaço para o a-topos, elemento por vezes conciliador, por vezes problematizador, por vezes dialético (não raro propulsor da circularidade). Isto é, o policial que estudava na universidade da classe média, teve de se afirmar pertencente a um grupo, não podendo ficar naquele "entre" polícia e jovens de classe média consumidores. Diante da morte (tomada nesta frase, não exclusivamente, como revelação do oculto), os jovens de classe média consumidores enxergam finalmente o indesejável: o abismo entre traficante e consumidor. Quer dizer, as fronteiras são fechadíssimas.

A divisão especial da Polícia Militar, conhecida exatamente como Tropa de Elite, cuja sigla oficial na Corporação Militar é BOPE, ocupa a posição de herói porque a lei que impera aqui é a do mais forte. Parece que todos estão satisfeitíssimos em conhecer quem, circunstancialmente, exercer o poder da força. E já esquecemos Rousseau assim tão facilmente, nesse retrocesso?

Parece que todos perderam completamente a noção do que seja selvageria, genocídio, matança e violência, pois estão interessados em conhecer quem impera na barbárie.

De minha parte, como quase sempre, estou numa ínfima minoria que pensa diferente até mesmo da "segunda via" e às vezes da "terceira via". Achar os culpados, os mocinhos e os bandidos não vai resolver o problema, porque o problema é identificá-los. Será que ninguém percebe isso? Enquanto houver essa estrutura, o mocinho tem o direito de matar o bandido, pois o Bem deve expurgar o Mal, enquanto o usuário é o culpado de tudo isso, então paga penitências, que não são religiosas, mas carcereiras ou mortíferas. Mas o que todos estão esquecendo é que o bandido apela para a auto-defesa, que se confunde com instinto de sobrevivência frente ao perigo fatal (não importando se é justo ou não) - afinal, ninguém quer morrer, mesmo que você torça para tanto.

Quem sai ganhando? Engana-se quem pensa o BOPE, pois vivem arriscando suas vidas (tomando pílulas, estressados, paranóicos), sem nenhum superpoder extraterrestre, pois não estamos na ficção dos quadrinhos. Tão bom seria, não é mesmo, uma Tropa de Elite formada por Super-Homem, Batman, Acquaman e toda a Liga da Justiça, quase imortais, contra Coringa, Lex Lutor, e Cia Ltda., vilões sem pai, nem mãe, nem povo.

Precisamos deixar de viver os quadrinhos, e para isso temos que acabar com a tripartição dos grupos. E como a polícia deixa de ser o mocinho e o traficante deixa de ser o bandido? Isso todo mundo sabe, mas ninguém quer dizer, nem muito menos fazer. Preferem, de modo geral, a ética rígida e obsoleta. Tenho certeza de que o ano 3000 nos verá como uma barbárie estúpida e comezinha, incapaz de aceitar mudanças, exatamente como enxergamos o ano 1000, cheio de inquisidores intransigentes sustentados pelo interesse do moralismo mais tacanha de todos os tempos: o índex. Mas temos o nosso: não de livros (porque não é necessário), mas de temas (porque aqui já se evitam os livros). É duro dizer, mas somos mais radicais: somos nossos próprios inquisidores. Proibimos um a priori sob amplo e irrestrito consenso.